Matadouro

Estou na fila de um matadouro. Cansada. Suja. De quatro. Procuro por uma corda. Lá no fundo, no final do longo corredor escuro vejo um fio. Ele brilha. Acho que piscou pra mim. Levanto. Avanço pelo corredor . Corro em direção a ele. Será forte o suficiente para suportar o peso de um corpo? NãoContinuar lendo “Matadouro”

Bigode

Vi um homem de bigode. É muito raro ver nos dias de hoje um homem de bigode. A maioria usa barba e bigode, ou barba sem bigode, ou nem barba nem bigode. Esse homem não, ele tinha só bigode. Estilo Belchior. O bigode estilo Belchior, o homem não. O homem era baixo, assim da minhaContinuar lendo “Bigode”

Cheiro de Marlboro na mão de homem

Quando Nietzsche matou Deus, a ciência já havia matado todos os Deuses… já havíamos perdido a imaginação… aquela imaginação que não esbarra na possibilidade científica sabe… imaginação pura genuína… nossa mente já foi acorrentada… por isso temos dificuldade de atingir o prazer supremo – dizia ela com essas pequenas pausas entre uma frase e outraContinuar lendo “Cheiro de Marlboro na mão de homem”

Desterro

Meu corpo afundando cada vez mais na areia, sendo sugado por ela cada vez que me movia tentando sair dali. Paralisava de desespero e então tinha que respirar como alguém que estivesse nos seus últimos segundos de vida, comido por um enfisema, tão de leve quase sem mover o tórax, para não tragar a areiaContinuar lendo “Desterro”

Estatísticas

Cada tiro era uma batida na porta. Abre! Abre! Tiro. Tum!Tum!Tum! Abre! Abre essa porta! Tiro. Tum!Tum!Tum! Abre essa porra! O que esta fazendo! Tiro. Tum! Tum! Tum! Pelo amor de Deus abre! Tiro. Amor!!! Abre!!! Silêncio. Amor!!? Silêncio. Amooor!!? Meu Deus!!! Não!! Não!! Por favor! Naaao! Mão no rosto. Lágrimas. Desespero. Distância. Velocidade. Ombro!Continuar lendo “Estatísticas”